Você pode trocar de carro.
Pode trocar de celular.
Pode até mudar de time depois de uma temporada ruim.
Mas experimentar outro barbeiro? Aí já é pedir demais.
O barbeiro conhece seus redemoinhos, sabe onde seu cabelo insiste em crescer para cima e já percebeu que você sempre diz “só tira as pontinhas” quando, na verdade, não faz ideia do que quer.
Existe uma confiança silenciosa entre um homem e seu barbeiro. Você senta na cadeira, entrega a própria aparência nas mãos de outra pessoa e fecha os olhos.
E, curiosamente, muitos homens passam mais tempo sendo tocados pelo barbeiro do que pelo próprio fisioterapeuta ou médico.
Trair o barbeiro dá culpa. Você entra em outra barbearia olhando para os lados, como quem está cometendo um crime. Se alguém perguntar onde cortou o cabelo, responde baixo, quase pedindo desculpas.
No fundo, não é sobre cabelo.
É sobre lealdade.
Porque alguns relacionamentos são construídos com grandes declarações de amor.
Outros, com um simples:
— “O de sempre?”
E você responde, sem hesitar:
— “O de sempre.”

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