Maria saiu do Nordeste
com dois filhos pela mão,
trazia a roupa do corpo
e a coragem no coração.
Deixou para trás a caatinga,
o terreiro e o juazeiro,
levou na mala a saudade
e um retrato amarelado e inteiro.
Chegou na grande São Paulo
sem parente, sem abrigo,
enfrentou frio e fome
tendo apenas Deus consigo.
Houve noite sem janta,
houve lágrima escondida,
mas Maria era daquelas
que não se entregam à ferida.
Lavou roupa, limpou casa,
varreu chão de madrugada,
e cada moeda guardada
era uma batalha ganha e honrada.
Os filhos cresceram fortes,
aprendendo com a mãe
que, mesmo diante das dificuldades,
nunca desistia nem desanimava.
Hoje quando alguém pergunta
como venceu tanta aflição,
Maria apenas sorri
e aperta a mão no coração.
Porque sabe que a vitória
não chegou de uma vez só:
foi feita de muitos passos,
de muita fé e muito pó.


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