Fui ao sacolão comprar cheiro-verde.
Enquanto escolhia os maços, uma senhora de meia-idade observou minha mão pousar sobre o coentro.
Ela fez uma careta instantânea.
— Nossa, eu odeio coentro.
Respondi naturalmente:
— Eu adoro.
Foi aí que aconteceu.
O rosto dela mudou.
Não era mais uma conversa sobre temperos.
Era como se eu tivesse acabado de declarar voto em algum candidato polêmico.
Como se eu tivesse escolhido um lado.
Esquerda ou direita.
Capitalismo ou socialismo.
Marvel ou DC.
Mas não.
Eu tinha escolhido coentro.
E, aparentemente, isso dizia tudo sobre mim.

Reflexão
Existem assuntos que dividem a humanidade em tribos.
Política.
Futebol.
Religião.
E, surpreendentemente, coentro.
Ninguém simplesmente acha coentro “razoável”.
Ou ama.
Ou odeia.
Não existe centro político para o coentro.
Talvez porque o ser humano tenha uma necessidade quase biológica de transformar qualquer preferência em identidade.
Eu não era mais um homem comprando temperos.
Eu era “um dos que gostam de coentro”.
Naquele dia não saí do sacolão como cliente.
Saí como membro de uma minoria aromática.
Agora eu sou coentro. 🌿😆
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