A buzina

A buzina

A buzina

Eu estava caminhando até a padaria quando ouvi uma buzina.

Olhei para o lado e vi uma conhecida passando de carro. Na mesma hora, abri um sorriso e balancei a mão, daqueles cumprimentos exagerados que a gente só faz quando é pego de surpresa.

Ela passou reto.

Nem olhou.

Foi então que percebi que a buzina não era para mim. Era para outra pessoa, alguns metros atrás.

Continuei andando como se nada tivesse acontecido, mas por dentro eu estava desmontando. A vergonha veio quente, subindo pelo pescoço, enquanto eu fingia examinar uma vitrine que não tinha nada de interessante.

Segui meu caminho tentando me convencer de que ninguém tinha notado. Mas eu tinha notado.

E isso bastava.

Só de raiva, tomei uma decisão madura e perfeitamente racional:

Nunca mais cumprimentaria aquela mulher.

Ela não tinha feito absolutamente nada.

Mas, na minha cabeça, a culpa era dela. Afinal, se não tivesse passado buzinando, eu não teria acenado para o vazio como um candidato em carreata sem eleitores.

Desde então, toda vez que vejo alguém buzinando, espero alguns segundos antes de responder.

A experiência ensina.

E a vergonha também. 😅


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