Romeu estava encostado na varanda, olhando para o celular.
— Ela visualizou há duas horas.
Mercúcio tomou um gole de café.
— Talvez esteja ocupada.
— Julieta nunca demora duas horas.
— Você a conhece há quanto tempo?
— Três semanas.
— Entendi.
Romeu suspirou.
— Acho que ela perdeu o interesse.
Nesse exato momento, uma notificação apareceu.
“Desculpa, estava trabalhando.”
Os olhos de Romeu brilharam.
— Ela respondeu!
— E agora?
— Agora vou esperar cinco minutos para não parecer desesperado.
Mercúcio observou o amigo.
— Você passou as últimas duas horas encarando a tela.
— Estratégia.
Cinco segundos depois, Romeu respondeu.
Mercúcio não comentou.
Algumas horas mais tarde, Romeu encontrou Julieta para o jantar de Dia dos Namorados.
Ela chegou sorrindo.
— Oi.
— Oi.
Silêncio.
— Como foi seu dia? — perguntou ela.
— Bem.
— Que bom.
Silêncio.
— E o seu?
— Bem também.
Mais silêncio.
Romeu olhou ao redor.
Todos os casais do restaurante pareciam felizes.
Alguns tiravam fotos da comida.
Outros tiravam fotos um do outro.
Um casal tirava fotos das fotos.
— Estranho — disse Romeu.
— O quê?
— Nas mensagens eu tinha mil coisas para dizer.
— Eu também.
— E agora não consigo pensar em nada.
Julieta sorriu.
— Talvez porque estamos ocupados vivendo a conversa em vez de escrevê-la.
Romeu ficou alguns segundos refletindo.
— Isso foi muito inteligente.
— Eu sei.
— Posso postar essa frase?
— Nem pense nisso.
Os dois riram.
Na mesa ao lado, um rapaz entregava um buquê enorme de rosas.
Na outra, alguém exibia um presente caríssimo.
Romeu olhou para sua pequena caixa de bombons.
— Acho que meu presente é simples demais.
Julieta abriu a caixa.
Pegou um bombom.
Sorriu.
— Sabe o que eu mais gosto nele?
— O chocolate?
— Não.
— O preço?
— Também não.
— Então o quê?
— O fato de que você pensou em mim quando comprou.
Romeu sentiu o coração acelerar.
Mercúcio diria que era paixão.
Shakespeare diria que era amor.
O garçom diria que era a conta chegando.
E, naquela noite, apenas uma dessas três coisas realmente assustou Romeu.

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